02 setembro 2014

8 da manhã

Lá estavamos nós , tu a quem eu ja não conheço os traços , embalados pela calmaria da musica do salão , a esplanada estava cheia mas nós vazios . As pessoas andam freneticamente de um lado para o outro na calçada em frente e, nós olhamos meio dentro meio fora de nós mesmos .
De que andam eles a procura?
Talvez andamos todos em busca do mesmo , mas de que?
Passa um com o jornal debaixo dos braços , um monte de letras para decifrar , talvez como nós esteja sozinho no mundo , seja um empregado de escritório à procura de preencher o tempo até ter de voltar aos telefonemas que acabam lá para as 17h da tarde.
Ou então seja um pai de família que leia as noticias do mundo enquanto os filhos controem castelinhos na praia, à beira mar depois de almoço .
Passam adolescentes com phones nos ouvidos e calças rasgadas , a passo de passeio como quem anda despreocupado com a vida . Estarão apaixonados ? Que bom, que saudades .
Também tens saudades de estar apaixonado de verdade ? Já não me lembro como era.
Poderá ser isso que andamos à procura ?
A senhora que passa com o carrinho de bebé parece ,como nós,  não saber o que é isso há algum tempo . Muito sisuda passa ela em esforço a empurrar o carrinho com o miudo que chora desalmadamente durante todo o caminho , ela nao pestaneja e segue em frente . Saberá ela onde realmente quer ir ? No seu dedo cintila uma aliança muito amarela , mas não me parece feliz e a ti? Se calhar o que a espera em casa será pior do que o que consigamos imaginar. Desvio o olhar, nem me atrevo a pensar mais nisso.
Tu pensas não pensas?
O que os faz andar de um lado para o outro enquanto nos estamos aqui sentados ?
Eu acho que eles procuram alguma coisa , mas nos não , nós ficamos sentados à espera.
Queres juntar-te a eles ? Talvez sim , talvez não.
Das-me a mão e eu sinto , nunca me deixes parar de procurar.
são 8h da manhã e eu acordei .
E agora desapareceste , deixaste-me.
talvez tenha de procurar tudo sozinha , rua acima , rua abaixo ,outra vez.

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